Cidades Digitais
November 10th, 2008As telecomunicações, computadores e softwares estão convergindo em uma infra-estrutura que está mudando rapidamente não só o paradigma de comunicação, como construindo uma plataforma para incrementar o crescimento econômico e ampliar as interações sociais. Tal tendência desponta, nos países desenvolvidos como uma das forças motrizes do desenvolvimento econômico e social.
Nos países em desenvolvimento, em regiões onde há grande heterogeneidade sociocultural e econômica, o conceito da cidade digital, desenvolvido de forma planejada, desenvolvendo soluções que permitam aos indivíduos sobrepujar as barreiras do acesso, alinhando a inovação tecnológica com as necessidades dos indivíduos e grupos sociais, alimentam esperanças renovadas na perspectiva de imprimir melhorias significativas na qualidade de vida dos cidadãos.
O conceito de ‘cidade digital’ contribui para a democratização dos meios de comunicação e a consolidação do espaço público, integrando indivíduos, grupos sociais, organizações e governos.
A incorporação de novas tecnologias na sociedade leva a um rearranjo do cotidiano das pessoas e da própria geometria urbana; essa mudança na percepção espaço-tempo cria novas demandas sociais e econômicas, tornando as ‘cidades digitais’ uma maneira de criar novas oportunidades para o desenvolvimento humano, social e econômico de uma dada localidade.
É papel fundamental dos atores responsáveis pela urbanização digital de suas cidades, estabelecer um Plano Diretor em função dos objetivos estabelecidos e dos recursos disponíveis.
Esse conceito de ‘cidade digital’ ainda está em elaboração, com muitos dos seus aspectos e potencialidades ainda por serem testados, no entanto, todas associadas, em maior ou menor grau, ao propósito de melhorar a qualidade e eficiência da gestão pública, aumentar a comunicação entre as pessoas, facilitar o acesso às informações e servir como motor do desenvolvimento social e econômico. Elas tem sido concebidas para prover uma infra-estrutura visando facilitar a vida das pessoas e criar canais democráticos de comunicação e informação; tem diferentes formas e escopos, mas essa diferenças referem-se menos aos aspectos tecnológicos e mais aos objetivos sociais que almejam e aos modelos de gestão e de sustentabilidade.
“Cidade digital é aquela que apresenta, em toda a sua área geográfica, infra-estrutura de telecomunicações e Internet, tanto para o acesso individual quanto público, disponibilizando à sua população informações e serviços públicos e privados em ambiente virtual”.
A infra-estrutura de rede de uma localidade pode variar não só em capilaridade como em capacidade de transmissão (banda larga); o acesso coletivo pode ocorrer de forma pública e gratuita, por meio de telecentros, quiosques, escolas, associações comunitárias, etc…, tanto em áreas remotas como naquelas com altas densidades de população, mas, em se tratando de populações excluídas, o acesso, uma vez obtido, não é condição suficiente e única para o uso efetivo; torna-se necessário que outros recursos de acesso, voltados à acessabilidade, usabilidade e inteligibilidade, sejam disponibilizados aos indivíduos.
Assim como as cidades tradicionais se diferenciam, as ‘cidades digitais’ também apresentam diferentes níveis de “urbanização”, elas podem possuir diferentes níveis de infra-estrutura de rede e de ofertas de serviços eletrônicos públicos ou privados; assim, pensando na inclusão digital, não se deve focar apenas na implantação das redes de comunicação, mas em prover todos os recursos para que os serviços sejam oferecidos e utilizados, e que os conteúdos sejam compreendidos e assimilados pelos cidadãos.
Espera-se que a ‘cidade digital’ possibilite melhoria significativas na qualidade de vida da população, portanto incluir cidades e pessoas nesse Universo Digital é parte desse processo evolutivo com o desenvolvimento tecnológico permitindo a criação do espaço virtual, e esses ganhos podem ser percebidos na melhoria das atividades cotidianas, na desburocratização dos serviços públicos, na intensificação das relações comunitárias, na aquisição e construção de conhecimento, na agilidade das transações on-line, em novas capacitações para o mercado de trabalho e no desenvolvimento social e econômico.
O ganho de eficiência proporcionado pelos serviços e transações on-line é um fato, as facilidades dele decorrentes devem ser aproveitadas para ampliar ganhos em termos de qualidade de vida, e como conseqüência, as ‘cidades digitais’ devem ser concebidas e administradas tendo em vista evitar a geração de mais exclusão; pelo contrário, devem servir como motor para inclusão digital e social. No entanto, o interesse pelas iniciativas de inclusão digital pode se restringir apenas àqueles com alguma predisposição às tecnologias, o que leva à necessidade de se empreender algumas ações paralelas para aumentar a atratividade e extrair o máximo da ‘cidade digital’.
O Brasil já apresenta um conjunto de iniciativas denominadas ‘cidades digitais’; no entanto no nosso entender ainda são iniciativas pontuais, com alcance e natureza variados, tendo em comum o objetivo de levar as novas tecnologias de informação e comunicação a um maior número de pessoas.
Casos :
Ouro Preto – Cidade Digital (Ouro Preto – MG)
Implantação de uma rede comunitária com 03 escolas estaduais e duas municipais, as secretarias municipais de planejamento e saúde e o laboratório de redes de computadores do departamento de computação da Universidade Federal de Ouro Preto. Possui infra-estrutura composta de uma rede sem fio com tecnologia Wi-MAX , além de 12 antenas para operação e base de suporte à cobertura. Como projeto futuro, apresenta ampliação para mais 03 escolas municipais e 02 estaduais, usando tecnologia Wi-Fi ligada à rede Wi-MAX
Piraí Digital (Piraí – RJ)
A integração das redes governamentais às redes comunitárias e corporativas, democratizando o acesso aos meios de informação e comunicação é o principal objetivo dessa experiência. Possui infra-estrutura formada por um sistema híbrido sem fio e om obertura das principais áreas do minicípio, possibilitando a comunicação e transmissão de dados e voz, e atendendo aproximadamente 200 pessoas por dia (donas de casa, professores e estudantes)
www.piraidigital.com.br
Tiradentes Digital (Tiradentes – MG)
Essa iniciativa faz uso da tecnologia Wi-Mesh, uma rede de comunicação semfio, para permitir à população o acesso à Internet em banda larga, de forma gratuita, em toda a cidade. Possui 40 computadores distribuídos em escolas, 40 em postos de saúde, telecentros, centros de turissmo e órgãos públicos. Esta experiência servirá para avaliar a viabilidade da implementação dessa solução em outras iniciativas.
www.tiradentes.mg.gov.br/tiradentes_digital.html
Telecentros – Prefeitura de São Paulo (SP)
Esta experiência atende comunidades carentes por meio de telecentros instalados em locais públicos em áreas periféricas do município, nos quais atuam supervisores, técnicos e monitores. Busca dar capacitação profissional, disseminar o uso de sw livre, revitalizar espaços comunitários e fomentar a comunicação comunitária. Os telecentros contam com 10 a 20 computadores em média; 25% dos quais para uso livre e 75% dedicados a cursos de formação da população.
www.telecentros.sp.gov.br
Rede Educativa (São José do Rio Preto – SP)
Possui infra-estrutura composta de laboratórios informatizados e um anel de fibra ótica interligando os núcleos de ensino, saúde, segurança, polícia, etc… , oferecendo serviços tecnológicos de telecomunicações em altas velocidades às escolas da rede municipal. Os laboratórios possuem 20 computadores em média. A experiência tem como público-alvo estudantes e professores da rede municipal de ensino e seus serviços são oferecidos gratuitamente.
www.riopreto.sp.gov.br
Programa de Inclusão Digital do Rio de Janeiro (RJ)
Experiência que tem como objetivo oferecer acesso gratuito à Internet em banda-larga, além de cursos de alfabetização digital. Sua infra-estrutura conta com 2 laboratórios com 20 computadores ligados à Internet, além de oficinas profissionalizantes de montagem e manutenção de computadores e reciclagem de cartuchos de impressora. A experiência funciona de forma itinerante, permitindo o treinamento de aproximadamente 120 pessoas.
www.proderj.rj.gov.br/programa1.asp
Extraído do livro ‘As cidades digitais no mapa do Brasil’ Uma rota para a inclusão social. De Átila A. Souto, Juliano C. Dall’Antonia e Giovanni M. de Holanda (organizadores)