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O exemplo finlandês - Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo

Thursday, January 24th, 2008

Depois de breve ausência volto ao Pedeverba para falar sobre o exemplo findadês.
O aumento da produção científica, constituída por trabalhos, artigos, teses e patentes das universidades brasileiras é uma notícia muito boa para o país. Sinto-me feliz porque faço parte do grupo de pessoas que defende a educação de qualidade para todos os brasileiros.

O crescimento da infra-estrutura de ciência e tecnologia, que chega amparado por uma nova realiade brasileira (estabilidade econômica e juros em queda), é salutar, mas a verdade é que ainda estamos bem atrás dos países desenvolvidos.

Embora tenha hoje o alento do crescimento contínuo de alguns indicadores de C&T e estarmos próximo a Rússia, que já foi uma máquina de tecnologia no mundo moderno e duelou de igual para igual com os EUA pela corrida espacial, é só observar o exemplo da Finlândia, país que tive a oportunidade de revisitar recentemente, para observar que ainda patinamos quando o assunto é investimento em pesquisa e inovação.

Fui novamente acompanhar o funcionamento das incubadoras de empresas exixtentes nas universidades e parques tecnológicos por lá e chega-se à conclusão de que nossa visão de empreendedorismo é muito tímida se comparada ao país da Escandinávia. Os números  finlandeses são surpreendente: cerca de 70 novas empresas surgem por ano na Universiade Tecnológica de Helsinque.

Em São Carlos somando os potenciais da USP, da UFSCar e das Embrapas forma-se, em média, cerca de 10 empresas por ano, mesmo que o nosso potencial local (número de cursos e de estudantes de graduação e pós) seja bem maior que o potencial da universidade finlandesa. Para se ter uma idéia das diferenças e desvantagem, levamos cerca de 20 anos para formar 100 empresas dentro do ParqTec, que é uma referência nacional.

O brasileiro, criativo como é, pode conseguir seu espaço no competitivo mercado nacional e internacional se de fato houver a interação e o apoio entre universidades, iniciativa privada e os governos federal, estaduais e municipais.

Sylvio Goulart Rosa Jr.
Presidente do ParqTec

O PAC da Inovação

Monday, December 10th, 2007

Grande decepção entre os países emergentes conhecidos como “BRICs” e crescendo menos que alguns vizinhos da América Latina, o Brasil busca, enfim, estimular a economia com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Enquanto os especialistas discutem a real capacidade do PAC de reverter o nosso pífio desempenho econômico, setores não contemplados se organizam para buscar sua inclusão no plano. É o caso da Educação, da Agricultura, da Indústria, do Comércio, enfim, de todas as áreas, cada uma reivindicando uma fatia do bolo com potencial de crescimento.

O PAC pode realmente estimular a economia e melhorar o desempenho do país. O problema é que não resolve questões essenciais para que o crescimento seja sustentado e garanta uma inserção mais vantajosa do Brasil na economia globalizada. Fazendo uma analogia, se der certo, o plano tira o Brasil da UTI remediando apenas os sintomas, sem tratar a doença do atraso.
Vai induzir o crescimento estimulando projetos principalmente na área de infra-estrutura que, embora necessários, são problemas que deveriam ter sido equacionados no século passado. No curto prazo, pode até fazer o “espetáculo do crescimento” acontecer, mas não melhora a posição do Brasil com relação a seus competidores.

O que mais impressiona é que o PAC não contempla, em nenhum momento, qualquer estímulo à inovação tecnológica, a competitividade industrial e a educação de alto nível. Em outras palavras, não trata de áreas que são consideradas estratégicas em todos os países desenvolvidos e emergentes, como China e Índia.
Se não inserir essa visão como prioridade, o PAC, assim como muitos outros planos, poderá ser apenas mais uma ação pontual de curta duração.