A hora da inovação tecnológica
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As áreas de Ciência&Tecnologia no País têm muito que comemorar no que se refere a um de seus gargalos históricos: o fomento. Duas ótimas notícias divulgadas nos últimos meses projetam um horizonte mais vigoroso para os setores de C&T no Brasil.
A primeira boa nova veio da Secretaria de Desenvolvimento do governo paulista. Saiu do papel e virou realidade em setembro passado o Projeto Lei nº 10.853, de 2001, que cria a Agência de Fomento do Estado de São Paulo (Afesp), que irá captar recursos de instituições de crédito e colocá-los à disposição de micro e pequenas empresas, com destaque para o longo prazo de financiamento. Somente no Estado, cerca de 1,5 milhão de empresas se encaixa no perfil. Em termos da receita estadual, elas movimentam mais de R$ 21 bilhões ao ano e geram quase 6 milhões desempregos.
A medida é estratégia, pois vai ao encontro do anseio de todo micro e pequeno empresário que possui o diferencial da inovação tecnológica em seu negócio. Isso, sem contar os ganhos com produtividade e competitividade. Felizmente, outros 12 estados brasileiros também criaram suas agências de fomento, que devem operar já no primeiro semestre de 2008.
A outra grande novidade vem do Planalto Central. Depois de aprovado na Câmara dos Deputados, está no Senado o Projeto Lei nº 1.631, de 2007, que regulamenta o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e atribui a ele novas fontes de recursos. A proposta acertada do Governo Federal é dinamizar mais a aplicação de recursos do FNDCT, que foi criado em 1969 e não possuía até o momento características e instrumentos específicos de um fundo.
Entre as várias áreas de C&T às quais o fundo deverá destinar recursos está a de projetos de inovação, transferência de conhecimento e desenvolvimento de novos produtos, processos, bens e serviços. Os recursos do FNDCT devem capacitar mão-de-obra, tanto no intercâmbio científico e tecnológico como na implementação, manutenção e recuperação de infra-estrutura de pesquisa de ciência, tecnologia e inovação.
Esses dois impulsos ao fomento de C&T devem impulsionar e incendiar o natural instinto empreendedor dos brasileiros. Estamos num momento em que é fundamental uma ruptura com o modelo da postergação vigente na sociedade como um todo. Só investimentos massivos e planejados estrategicamente em educação, C&T, inovação e empreendedorismo podem tirar o Brasil do atraso secular.
Não podemos mudar o paradigma da concentração de renda sem sua redistribuição, como fruto da riqueza, para toda a sociedade. Esta deve ter consciência de que temos um programa de crescimento com metas. Um modelo de desenvolvimento sustentável passa obrigatoriamente pelo crivo do conhecimento, inovação e informação.
Não podemos mais culpar os colonizadores pela nossa paralisia, tampouco o “imperialismo” que foi trocando de mãos ao longo dos séculos. Queremos e podemos realizar as mudanças necessárias. Estamos no 70º lugar quanto ao IDH (0,800). Qual é nosso projeto agora pra superar a barreira do 0,900 e continuar crescendo em todos os setores da sociedade? Seja qual for, ele passa pelo rompimento com o modelo ineficiente e procrastinador tradicional e enraizado. Uma decisão firme pode revolucionar isso e indicar a direção a seguir. Inovação tecnológica é o nome do jogo!




